domingo, 18 de janeiro de 2009

Decidir é preciso!


Segundo Perry (1970), o nosso desenvolvimento intelectual e ético ocorre em quatro fases:

Dualismo - visão do mundo a preto e branco, sei ou não sei;

Multiplicidade - admite diferentes visões do mundo aceites indiscriminadamente;

Relativismo - papel do indivíduo na construção do conhecimento mas há métodos melhores que outros para procurar o conhecimento mais seguro;

Compromisso - comprometimento com sistema de valores


Na minha leitura será possivelmente a ultima, a transição que mais vincadamente marca o início da idade adulta e sobretudo o alcance do pensamento maduro. Tomar decisões nem sempre é fácil, mas sempre é preciso. Talvez que seja muito confortável aos relativistas, aos que a cada pró acasalam um contra, aos que propagam estar em todo o lado não estando em lado algum, recostarem-se e muitas vezes depositarem nos outros, e quantas vezes no acaso, a responsabilidade de decidir. Nos que se comprometem, que apesar dos apesares avançam para uma decisão, cientes dos riscos, cientes da utopia que é o conceito de decisão perfeita, mas que dentro da sua cognitividade, naturalmente limitada, procuram sim a decisão satisfatória, recaem por vezes as acusações fáceis daqueles que, sem maturidade, verticalidade e coragem para decidirem, por um lado respiram de alívio e por outro aprontam-se a apontar o dedo se algo corre mal, oposição fácil e irresponsavel. O compromisso, seja ele qual for, requer isso mesmo, um pensamento e consciência da relatividade de todas as situações, a assumpção consciente de que existirão possivelmente outros métodos e melhores alternativas para optimizar a decisão, mas que tal não é nem deve servir como desculpa para o não comprometimento, para o "limbo eterno". Sim à reflexão com propósito e objectivo, mas não ao relativismo vazio e cobarde. Comprometam-se, decidam que sim ou que não, mas assumam-nos com responsabilidade, em caso de sucesso ou falhanço. Não é fácil, não é para todos nem se consegue sempre, mas é preciso assumir a responsabilidade e as consequências.



Quem não tem cão caça com gato... e quem não caça porque não tem cão morre à fome.

3 comentários:

pandora disse...

é engraçado que ainda ontem falei nisso...no "peso" das decisões e no facto de muita gente não ter coragem (ou valores) para decidir. Muitas vezes tomamos decisões que no fundo não nos competiam, simplesmente porque do outro lado há uma apatia ridícula. E muitas vezes somos os "maus da fita" por isso mesmo. Mas em última análise não me arrependo de decidir. As consequências nem sempre são as melhores, mas se são resultado de uma decisão/posição, tens de arcar com elas. Chamas-lhe maturidade...eu chamo-lhe integridade, mas sim, andam de mãos dadas!
E às vezes lemos coisas que, se tivéssemos o dom da escrita e uma cabeça mais arrumada, poderíamos ser nós a escrever, porque pensamos "é isto mesmo!"...já me alonguei muito, este texto dava pano para mangas. Vou mas é trabalhar!:)

Henry Michkin disse...

cara pandora, faço minhas as suas que já haviam sido minhas palavras ;P

não admira que os estudos indiquem que os psicólogos são aqueles com maior indíce de sabedoria eheh

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siri disse...

É incrível como este post retrata um conjunto de pensamentos e sentimentos que têm andado a pairar pelo meu subconsciente ao longo dos últimos meses!...

«Compromisso - comprometimento com sistema de valores»

Sem dúvida que é este o passo mais difícil e o que traduz maior maturidade.
Nos dias que correm, "compromisso" e "comprometimento" são, só por si, palavras pra pôr a fugir a 7 pés a mais bem intencionada das almas... Quanto mais tendo acoplado esse palavrão indecente dos "valores"!
Esta dificuldade só pode ser superada pelo pragmatismo que surge da constação da necessidade de se tomar decisões. O que implica, como disseste, ultrapassar o perfeccionismo, as tentativas de agradar a todos, o medo de errar... Tudo aquilo que só não é impossível quando não se tem que passar à prática!

Obrigada pela clareza de ideias!
E parabéns pelo blog.